
Seguro viagem: quando é obrigatório e o que cobrir
O seguro viagem costuma ser o item mais barato do orçamento e o único capaz de evitar um prejuízo de dezenas de milhares de reais. Em vários destinos ele é exigência legal de entrada; em outros, é apenas bom senso — um pronto-socorro nos Estados Unidos pode custar mais que a viagem inteira. O erro mais comum não é deixar de contratar, e sim contratar a apólice mais barata sem ler o que ela cobre.
Onde o seguro é obrigatório
Os países do Espaço Schengen exigem apólice com cobertura médica mínima de € 30.000, válida para todo o período e para todos os países do bloco — a comprovação pode ser pedida na imigração. Cuba exige seguro com cobertura médica. Vários destinos do Caribe e algumas ilhas asiáticas passaram a solicitar comprovante em determinados períodos. Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália não exigem por lei, mas o custo de atendimento nesses países torna a contratação praticamente obrigatória na prática.
Coberturas que importam de verdade
Despesas médicas e hospitalares (o número principal — para a Europa nunca menos de € 30.000; para Estados Unidos, mire em US$ 100.000 ou mais), despesas odontológicas emergenciais, traslado médico e repatriação sanitária, regresso sanitário, bagagem extraviada (com valor por peça, não só o total), cancelamento e interrupção de viagem por motivos previstos, e responsabilidade civil. Verifique se há cobertura para prática de esportes — mergulho, esqui, trilha em altitude costumam ficar de fora do plano básico.
Letras miúdas que geram negativa de cobertura
Doenças preexistentes normalmente só são cobertas em situação de emergência e crise aguda, e algumas apólices exigem declaração prévia. Gravidez costuma ter limite de semanas. Acidentes sob efeito de álcool geralmente são excluídos. Bagagem só é indenizada quando extraviada pela companhia aérea, com registro de irregularidade (RIB) feito ainda no aeroporto. E quase todas exigem contato com a central de assistência antes de procurar atendimento — quem paga primeiro e pede reembolso depois pode receber menos ou nada.
Reembolso x atendimento direto
Planos com rede referenciada e pagamento direto ao hospital são preferíveis: você não desembolsa nada. Planos de reembolso exigem que você pague e receba depois, com prazo de 30 dias ou mais e documentação completa. Para viagens aos Estados Unidos, essa diferença é crítica — poucas famílias têm limite de cartão para cobrir uma internação.
Quanto custa e o que influencia o preço
Uma apólice de duas semanas para a Europa com cobertura de € 60.000 costuma custar de R$ 150 a R$ 350 por pessoa. Para os Estados Unidos, com cobertura de US$ 100.000, de R$ 250 a R$ 600. Idade é o fator que mais pesa: acima de 70 anos o valor pode dobrar ou triplicar. Viagens de mais de 30 dias, esportes de aventura e gestantes elevam o prêmio. Cartões de crédito premium oferecem seguro incluso — leia as condições, porque muitos exigem que a passagem tenha sido comprada com aquele cartão e têm coberturas abaixo do exigido por Schengen.
Na hora de usar
Salve o número da central de assistência no celular e imprima a apólice. Ao precisar de atendimento, ligue antes, informe o número da apólice e siga a orientação sobre para onde ir. Guarde todos os documentos: relatório médico, receitas, recibos e comprovantes de pagamento. Em caso de bagagem, registre o RIB no aeroporto antes de sair da área de desembarque — sem esse documento, a seguradora nega o pedido.
Dicas rápidas
- Para a Europa, contrate no mínimo € 30.000 de cobertura médica exigidos por Schengen.
- Ligue para a central de assistência antes de procurar qualquer atendimento.
- Declare condições preexistentes e confirme por escrito como são tratadas.
- Confira se a apólice cobre os esportes que você pretende praticar.
- Registre o extravio de bagagem no aeroporto (RIB) antes de sair do desembarque.
- Se for usar o seguro do cartão, leia as condições: muitos ficam abaixo do exigido.
